De Carlos Marçalo
Semana nº 987 de 3 a 9 de Setembro de 2010
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Raúl Oliveira, CEO da iPortalMais |
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A tecnológica estabeleceu parcerias com a Konica Minolta para a área da gestão documental e está a ultimar a compatibilidade do iPBrick com Oracle RAC. A Telefónica I+D está à espera desta versão para a instalar em toda a sua rede
Ao longo de uma década, a iPortalMais foi construindo um caminho assente em inovação. Agora, a empresa liderada por Raúl Oliveira foi reconhecida pelo Instituto de Apoio às Pequenas e Médias Empresas (IAPMEI) e pela banca como PME Líder. O director-geral da iPortalMais afirma ser com enorme satisfação que vê a empresa ser reconhecida pelo IAPMEI como PME Líder. «É certo que já deveríamos ter submetido a nossa candidatura a este estatuto há mais tempo, mas recebê-lo no décimo ano da empresa, em plena crise económica, acaba por ser mais um facto que comprova a solidez da iPortalMais», explica Raúl Oliveira.
O responsável máximo da iPortalMais não tem quaisquer dúvidas da resistência da empresa registou sempre taxas de crescimento – e está convicto de que este ano fiscal deverá ter «um desempenho muitíssimo superior ao do ano anterior. Em declarações ao Semana, o gestor referiu que, para 2010, a empresa conta passar de um volume de negócios de 3,6 milhões de euros para 5 milhões de euros.
A tecnológica, sedeada no Porto, desenvolve servidores de Intranet e comunicações e soluções de gestão documental e tem cerca de 150 parceiros certificados em Portugal e aproximadamente 60 parceiros internacionais certificados. No mercado português conta com 3000 clientes e um total aproximado de 500 mil utilizadores. As estimativas apresentadas por Raúl Oliveira, atendendo aos números reportados, apontam um volume de negócios que ronda os 50 milhões de euros para os parceiros nacionais. No mercado internacional a companhia possui quase 600 empresas a utilizar os seus produtos IPBrick e IPortalDoc.
Para continuar a crescer de forma sustentada, a tecnológica de Raúl Oliveira segue uma estratégia assente em três vectores: investimento permanente em inovação e desenvolvimento de novas funcionalidades nos seus produtos, criação de novos produtos e estabelecimento de parceiras. Um dos exemplos mais recentes de parcerias é a associação do iPortalDoc, produto de gestão documental, com alguns equipamentos da Konica Minolta.
iPotalDoc com equipamentos da Konica Minolta
Quando se vende um scanner ou um multifuncional, as empresas deparam-se com a necessidade de guardar e arquivar os seus documentos digitalizados. «Em cerca de 30 por cento da base instalada de iPortalDoc existem equipamentos Konica Minolta. Alguns clientes decidiram integrar e adaptar o IPortalDoc associado a estes equipamentos», conta Raúl Oliveira, explicando que «foi nesse momento que os comerciais da Konica Minolta começaram a ter interesse em estabelecer uma parceria com a iPortalMais».
O nosso interlocutor garante que os equipamentos da Konica Minolta são muito flexíveis, permitindo um amplo leque de configurações. Esta realidade associada à capacidade de adaptação do software da iPortalMais permitiu que se realizassem configurações e integrações rápidas entre os equipamentos e a aplicação de gestão documental. Atendendo a este aspecto, as duas equipas comerciais começaram a trabalhar de forma conjunta e a avançar com algumas propostas em clientes comuns às duas empresas.
Desta forma, os produtos da Konica Minolta comercializados em Portugal passam a disponibilizar a opção de ter um gestor documental integrado. O objectivo da parceria estabelecido entre a Konica Minolta Portugal e a iPortalMais passou pela formalização da relação entre as duas empresas, permitindo que a Konica Minolta venda uma solução integrada do iPortalDoc com os seus multifuncionais.
Quando se está a comercializar um equipamento multifunções ou uma máquina de digitalização, esta é comparada com outras máquinas de marcas concorrentes que fazem exactamente o mesmo, tendo muitas vezes o preço e os custos de manutenção associados a esse equipamento como factor diferenciador. Neste caso, diz o director-geral da iPortalMais, «a Konica Minolta dá uma vantagem competitiva ao disponibilizar no mercado uma solução integrada chave-na-mão». O responsável continua salientando que os scanners da Konica Minolta fazem o Optical Character Recognition (OCR) de forma integrada, ou seja, os documentos PDF que resultam da digitalização trazem uma camada de OCR em cada documento, «o que permite que o iPortalDoc identifique e pesquise com muita facilidade os documentos realizados», explica Raúl Oliveira, salientado que esta é uma situação muito interessante para as duas empresas.
Atendendo à facilidade de integração dos equipamentos da Konica Minolta com o IPortalDoc, a tecnológica portuguesa já tinha apresentado junto do director de TI da Konica Minolta Europa esta possibilidade, que foi muito bem acolhida, mas, atendendo ao número reduzido de clientes que utilizam a solução, optou por não avançar com uma parceira. «Se os resultados da parceria em Portugal começarem a ser muito interessantes, não é descabido que a parceria possa ganhar outro âmbito entre a Konica Minolta Europa e a iPortalMais», destaca Raúl Oliveira.
Consolidar parceria com a Oracle
Se a parceria com a Konica é recente, o mesmo já não acontece com a relação comercial com a Oracle. Ela existe desde 2007, quando o gestor de canal de parcerias da Oracle Portugal, Paulo Folgado, procurou a iPortalMais para saber exactamente o que era o IPBrick. Nessa altura, a empresa não trabalhava com bases de dados Oracle, mas passadas algumas reuniões entendeu-se que a Oracle Portugal trabalhava esmagadoramente com Independent Software Vendors (ISV) que trabalham com Windows, sendo muito poucos os parceiros que desenvolvem aplicações Oracle para ambientes Linux. «O número de empresas que desenvolve aplicações Oracle sobre Linux é reduzido porque há um gap, uma dificuldade muito grande de os ISV trabalharem com Linux instalados em servidores Linux», explica Raúl Oliveira, destacando que o IPBrick pode surgir como um facilitador que permita que a tecnologia Oracle corra sobre ambientes Linux em vez de ambientes Microsoft.
Surge assim no mercado a disponibilidade do IPBrick.IC for Oracle Enterprise Linux. Com este desenvolvimento, a iPortalMais passou a ter uma aplicação que em cinco minutos permite instalar o Oracle Application Server 10 e o sistema de gestão de base de dados Oracl e 10g, através da IPBrick for Oracle Enterprise Linux. Mais uma vez, e à semelhança do que acontece com a parceria realizada com a Konica Minolta, as expectativas de Raúl Oliveira relativamente aos desenvolvimentos realizados com a tecnologia Oracle são de que o IPBrick possa ter uma aceitação importante junto da comunidade mundial de parceiros da Oracle.
A empresa mostrou a sua solução numa feira na Califórnia, nos Estados Unidos, em parceria com a solução Trade Market, e mais uma vez a sua aceitação foi positiva mas necessita de dar provas ao mercado de que se trata de uma solução que pode ser escalável sem problemas e, para isso, é necessário que as vendas de IPBrick para Oracle cresçam, aumentando o número de clientes e de utilizadores desta tecnologia. Só desta forma é que o IPbrick for Oracle pode ganhar reconhecimento junto da casa-mãe. Para já, a Oracle Portugal abriu o seu canal para que a empresa de Raúl Oliveira possa promover as suas soluções junto dos parceiros nacionais da Oracle. Fruto desse acolhimento, já existem três parceiros portugueses da Oracle que estão a trabalhar com a iPortalMais para integrar e realizar algumas experiências com os seus produtos, neste caso, dois ERP e um CRM.
A tecnológica portuense aproveitou ainda esta oportunidade para migrar também o seu produto IPortalDoc para Oracle, introduzindo a base de dados da multinacional norte-americana nesta aplicação de gestão documental. O resultado final é o IPortalDoc for Oracle, um produto cujo preço é um pouco mais caro do que a mesma aplicação com outra base de dados.
Telefónica pode vir a ser referência mundial
Um dos grandes clientes internacionais de IPBrick é o gigante espanhol Telefónica. A empresa reconhece a facilidade de utilização desta tecnologia, tendo mostrado muito interesse em utilizar o IPBrick for Oracle, uma vez que possui muitas aplicações Linux que correm sobre Oracle.
Atendendo à facilidade de utilização do IPBrick e a capacidade de ser gerido e instalado remotamente, «a Telefónica I+D está muito interessada em utilizar o IPBrick for Oracle», garante Raúl Oliveira. O único problema, e a razão por que a multinacional espanhola ainda não avançou para uma implementação mundial do IPBrick for Oracle, é o facto de as plataformas da Telefónica I+D trabalharem com Oracle Real Application Clusters (RAC); enquanto o IPBrick não integrar com a tecnologia Oracle RAC, é inviável para a Telefónica substituir os seus servidores. A tecnológica portuguesa está a realizar os desenvolvimentos necessários para que o IPBrick funcione com Oracle RAC. Na prática trata-se de permitir que o IPBrick consiga sincronizar automaticamente com diversas bases de dados. «Quando esse passo for dado, a Telefónica iniciará as primeiras experiências com esta versão», admite Raúl Oliveira. Segundo ele, a Telefónica possui servidores em todo o mundo, com bases de dados billing, onde tudo o que é gestão de plataformas assenta em Linux e Oracle.
O grande problema da Telefónica e que a levou a ponderar abandonar o Linux, conta o director-geral da iPortalMais, foi «a entrada em novos mercados e a aquisição de novas empresas em diferentes partes do mundo, para as quais o know-how existente na sede de Madrid em Linux e Oracle não é facilmente transmissível». Com o IPBrick for Oracle essa questão não se coloca, uma vez que toda a tecnologia que a Telefónica utiliza é compatível com o IPBrick for Oracle, frisa o nosso interlocutor, salientando ainda que esta versão «vai simplificar monstruosamente a gestão dos servidores Linux, ou seja, vai ser possível manter o know-how em Linux da Telefónica I+D e manter a exportação e a distribuição das estações a partir de Madrid baseadas em Linux».
Segundo os cálculos de Raúl Oliveira, o investimento realizado no desenvolvimento da versão do IPBrick for Oracle ascende a um milhão de euros, mas é preciso ter em conta que este produto tem sido trabalhado e melhorado de forma contínua desde 2007.
Transformação do produto
Para uma empresa com a dimensão da iPortalMais, é inviável realizar o desenvolvimento dos seus produtos à medida de cada parceria, como acontece com a Oracle, Konica Minolta, Caixa Mágica, entre outros. O tempo de desenvolvimento de cada versão rondava entre os seis e os nove meses. Quando surgiu a possibilidade de desenvolver uma versão do IPBrick para Oracle, a empresa não podia perder nove meses no seu departamento de I&D para criar essa versão mais outros nove meses para lançar a versão IPBrick 5.0.
Foi nesse momento que se entendeu que era necessário que o departamento de I&D trabalhasse na abstracção do que é o IPBrick e conseguisse reduzir o impacto da tecnologia Linux de base na construção do produto. Nesse sentido, o departamento teve de realizar um megaprocesso de concepção e de versões baseadas em Linux, para simplificar a integração com a Web, possibilitando que esse trabalho pudesse ser reaproveitado e multiplicado.
Como resultado dessas transformações, a empresa conseguiu reduzir significativamente o tempo de desenvolvimento, passando para três meses e em alguns casos 15 dias, como como aconteceu com a conversão do IPBrick da Caixa Mágica de 64 bits para uma versão de 32 bits.
«Graças a estes melhoramentos na concepção do produto, qualquer aplicação que use os nossos web services e que tenha uma interface pode ser rapidamente integrada com as nossas soluções», assegura Raúl Oliveira, dando como exemplo os desenvolvimentos que inicialmente foram criados para compatibilizar a aplicação de gestão documental IPortalDoc com as aplicações da Primavera BSS. Esse primeiro projecto obrigou a alguns desenvolvimentos à medida mas resultou numa solução que foi facilmente replicada e integrada mais tarde com outros ERP, como SAP Business One, Sage ERP X3 ou PHC.
«Esta mudança estrutural na base dos produtos permitiu que a iPortalMais potenciasse um conjunto de parcerias com diversos ISV ao mesmo tempo que libertou tempo do departamento de I&D para fazer mais investigação e melhorar os produtos e funcionalidades da iPortalMais», conclui Raúl Oliveira.
in Semana Informática
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